5 perguntas imprescindíveis para um bom briefing

Um bom briefing é essencial para a elaboração de qualquer trabalho. Quando estamos falando da identidade de uma marca então, o essencial pode até ser pouco (se isso fosse possível).

Fazendo as perguntas certas ao seu cliente você irá poupar muito tempo de pesquisa e refação, porque você vai direto ao ponto, direto ao que o cliente espera.

Por isso separamos 5 perguntas básicas que você pode desmembrar em outras perguntas que forem cabíveis à empresa na qual está propondo o serviço.

Com essas perguntas, você mesmo já consegue preencher o briefing inicial.

O quê?

Caso seja um trabalho novo, é nesse momento que você faz perguntas como “Quais são as peças a serem criadas?“, “A impressão deverá ser incluída no orçamento?“, entre outras.

Aproveite aqui para vender o seu peixe e falar ao cliente tudo o que poderia ser agregado ao serviço, como por exemplo o logo, manual de identidade, cartão de visita, flyers, pasta, envelope, site, assinatura de e-mail e o que mais for sua especialidade.

Por quê?

A principal pergunta que você pode tirar dessa pergunta chave é “Qual é o objetivo do seu projeto?“.

Isso pode mudar totalmente seu pensamento em relação a criação dessa marca, porque ele pode estar te contratando para fazer um redesign de uma marca já existente ou querendo criar uma nova.

Se for um redesign, você não pode deixar de conhecer a marca antiga e o que fez ele ter escolhido aquela marca. Ainda na questão de redesign, você precisaria perguntar “Por que está querendo mudar sua marca?“.

Se for uma marca nova, não deixe de saber o máximo da empresa dele, com perguntas como “Me conte mais da sua empresa“, “Fale sobre seu negócio“, “Existe um slogan?“, entre outras coisas que mudam completamente o visual da marca.

Como?

Esse momento você precisa entender como ele quer essa marca e fazer um benchmarking. “Existe um estilo que deseja seguir?“, “Quais são suas marcas de referência?“, “Quais cores você não quer utilizar?“.

Esse último é importante porque apesar de você saber que uma determinada cor terá um impacto positivo na marca dele, ele pode ter algum problema pessoal com aquela cor e não aceitá-la de jeito nenhum.

As marcas de referência determinam não só o estilo visual, mas também o público que ele gostaria de atingir e a experiência que ele quer transmitir aos seus clientes.

Onde?

Aproveite aqui para perguntar “Para quem e onde essa peça será veiculada?“.

Isso altera drasticamente as cores e o estilo de sua criação, se será voltado a um público infantil, para um público de poder aquisitivo maior ou menor, etc.

Quando?

“Qual é o prazo de entrega?“. Resposta como “para ontem” não contam. O prazo influencia totalmente no valor do projeto, porque se você tem um prazo maior, você poderá fazer com mais calma, poderá trabalhar em outros projetos simultaneamente e isso pode te dar uma margem para negociação.

A pergunta “Qual é o seu budget?” divide opiniões, pois algumas empresas consideram isso agressivo, então sinta isso do seu cliente antes de perguntar, mas não deixa de ser importante até mesmo como um filtro de clientes, pois muitos desvalorizam o trabalho e você poderá descartá-lo nesse primeiro contato ou tentar convencê-lo que as coisas não são bem assim como ele imagina.

Lembrando que essas cinco perguntas chaves são para ajudá-lo a montar suas perguntas “oficiais”, como viram na explicação de cada uma.

Portanto, não perca tempo. Seja objetivo e evite desgastes com seus clientes.

Imagens do posts via shutterstock
AUTOR: Julian Nunes
Designer e professor nas áreas de computação e editoração gráfica e também apaixonado por cinema, animação, motion e flertando com fotografia.

 

Como o cérebro vê logos e como criar marcas fortes

Elas estão por toda parte, bombardeando as pessoas incessantemente todos os dias. Bob Garfield já falou desse carga de informação massiva sobre o consumidor, Philip Kotler também alertou, ainda em 2005, que os consumidores estavam ignorando mensagens publicitárias devido à grande quantidade a que eles eram expostos.

A primeira vez que alguém tentou mensurar a quantidade de exposição de marca nas pessoas foi Bill Moran, na década de 60; Ele era o responsável pela pesquisa da agência Young & Roubican e chegou ao número de 500. Hoje, muito se fala em 5.000 exposições/dia. Ambos os números são assustadores se você for uma marca tentando ganhar espaço na mente do consumidor.

Mesmo que consideremos números mais singelos como entre 2.000 e 3.600, ainda assim é muita coisa. [Este artigo é o mais completo sobre o assunto.] Por exposição considere todas as marcas que passam pelo consumidor em 24 horas, emails recebidos, produtos nas gôndolas, outdoors que passamos de carro e por aí vai. O CEO da Yankelovich (consultoria que chegou aos 5.000) chama de “oportunidades de exposição”, é a chance que a marca tem de atrair atenção do consumidor, apesar da alta concorrência.

Como consequência, esse bombardeio tornou as pessoas mais resistentes ao marketing. Elas estão menos favoráveis à propaganda e consideram a maior parte irrelevante. Por outro lado, as marcas nunca estiveram tão inseridas na cultura de um povo, criando fortes vínculos comportamentais e emocionais com seus consumidores e ajudando-os a se relacionar com o mundo em que vivem. Mas chegar nesse nível de proximidade é para poucas. Um pequeno estudo de 2014 calculou que apenas 3% de toda propaganda gera envolvimento, número próximo dos 2,2% citado por Martin Lindstrom sobre a quantidade de anúncios que as pessoas se lembravam lá em 2007.

A logo

A logo é um dos elementos mais importantes de toda propaganda. De nada adianta um anúncio convencer o consumidor a comprar um notebook e ao chegar à loja ele se perguntar: “qual era mesmo a marca daquele notebook?”. Por isso, um formato comum hoje em dia é o de exposição de marca, como o product placement (mais conhecido no brasil como mechandising) e patrocínios.

Acho que ninguém discorda que ter uma boa logomarca é fundamental para todo negócio, mas o que define uma boa logo? Uma boa logo é a que o público fixa e simpatiza. Ela pode ser elegante, divertida, delicada, forte, mas é bom evitar o excesso de informação e adornos.

Marcas são atalhos mentais, grave isso. As usamos para facilitar nossas escolhas. Imagine o quão difícil seria ir ao mercado se produtos não tivessem nomes nem logos, ou se tivessem nomes, mas todos fossem escritos em Arial e na cor preta, teríamos que ler um a um para encontrar o nosso preferido. O cérebro cria atalhos para evitar trabalho desnecessário e tomar decisões mais rápidas. Semelhante ao que faz uma marca forte, facilitar a vida do seu cliente.

Para encurtar ainda mais esse atalho, podemos fazer uso de algumas técnicas e conhecimentos. Um deles é conhecer como o ser humano processa e interpreta informações como, por exemplo, as cores. E que impacto a cor azul tem no indivíduo. Há muita informação sobre a psicologia das cores disponível, então eu quero trazer algo diferente. Com a ajuda do neuromarketing, saber o que acontece no nosso cérebro quando vemos uma logomarca.

O processo

  1. Ao ver uma logo, os olhos rapidamente enviam sinais para o cérebro que identifica cor e forma, em duas áreas diferentes. Segundo cientistas, é o cérebro que identifica as cores, não os olhos. Áreas do cérebro: Giro fusiforme (reconhece cores), hipocampo e área V1 do Córtex Visual (reconhece padrões).
  2. As informações são agrupadas para identificar o que se está vendo. Nesse momento, o cérebro vê até o que não está lá, por exemplo o de A a Z da logo da Amazon ou a seta na logo da FedEx. Área do cérebro: área V2 do Córtex Visual.
  3. O cérebro tenta casar o padrão visual de todas as informações (cor, forma, elementos) com padrões de experiências passadas. Áreas do cérebro: lobo ocipital e temporal.
  4. O cérebro adiciona à logo atributos semânticos de experiências passadas para garantir significado e reconhecimento. Coisas como o nome da marca, preferências, características da empresa, produto ou serviço, elogios ou críticas de terceiros só entram em jogo nesta etapa. Áreas do cérebro: Córtex pré-frontal e amígdala (responsável pelas emoções e recompensas)
  5. Resumimos o processo de identificação de uma logo pelo cérebro em três etapas: Cor, forma e significado. E isso demora apenas 0,4 segundos. [Veja um infográfico mais detalhado.]

Para finalizar…

Seja você um publicitário, designer, profissional de marketing ou empresário, o seu dever é criar logos que facilitem o trabalho do cérebro. Logos simples, atraentes e fáceis de identificar, não cheias de mensagens ocultas e embasamento sociodemografico e histórico que necessitem de explicações mirabolantes. Já que significados semânticos e atributos emocionais são adicionados ao longo do tempo através de experiências, o design não tem muito a oferece além disso. Onde, como e quando ela será usada é o que vai determinar o seu sucesso. Uma ótima logo em um produto ruim jamais terá sucesso. Uma ótima logo em um produto bom, mas com um atendimento frustrante também não salvará a marca.

Lembre-se que a marca é o todo, e ela deve conversar com o seu público, deve compartilhar interesses (cores, formas, símbolos), mas ela também deve ser autêntica e se diferenciar das demais. Gostamos de marcas como gostamos dos nossos amigos —ao menos o nosso cérebro interpreta assim—, biologicamente há pouca diferença entre relações entre dois humanos e entre um humano e uma marca. Então, talvez a logo perfeita seja aquela o mais natural possível e que transmita a mesma sensação que gostamos de ver em outras pessoas.

FONTE: pequenoguru.com.br