Prostituição, cartel e o medo do sobrinho

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Este é um assunto que não tem fim. A hora que você menos espera, aparece alguém reclamando dos “sobrinhos” ou de outros profissionais que cobram “preço de banana” para a realização de seus serviços e apontando-os como responsáveis pela prostituição do mercado. Sim, normalmente é este termo que utilizam.

A primeira vista este parece um discurso bem racional, em defesa dos profissionais e assim por diante, mas os argumentos nunca passam disso. O que deveria estar em jogo nunca é mencionado: a qualidade, rentabilidade e o custo operacional. Quando o custo operacional é colocado na mesa, obviamente já teremos números diferentes na primeira etapa em relação ao valor MÍNIMO rentável para a prestação de determinado serviço. Obviamente uma agência que possui uma infraestrutura bem elaborada, com sala de jogos, bar, lounge e tantos outros benefícios aos seus colaboradores terá um custo operacional diferente de um concorrente que trabalha com uma equipe enxuta, com um escritório simples. Se comparar a um freela em relação a um serviço específico o gap é ainda maior. O fator “qualidade” é outro número que somado a isso já ajudará na formação dos preços.

Embora tenhamos inúmeras associações que nos forneça diversas tabelas com sugestão de valores, elas não atendem à realidade de mercado de 90% das agências. Ou você consegue cobrar facilmente R$5.000,00 para a construção de uma landing page, conforme a tabela da APADi-SP? Ainda que você rejeitasse qualquer valor menor que isso, o cliente não fará mágica para pagar se está fora da realidade financeira dele, por isso uns compram Dolly e outros Guaraná Antártica.

Quando você não leva em consideração os pontos citados acima, você está muito próximo de um discurso corporativista ou tentando implantar uma espécie de cartel publicitário.

Mesmo que tudo isso ainda seja assustador para muitos, trabalhando todos esses anos nessa indústria vital, o que realmente se vê é isso:

Caso 1:

O prestador de serviço é bom
O seu preço é abaixo do convencional
O serviço não é rentável
Logo: O prejuízo e a má administração financeira de seus serviços o levarão a subir os seus preços ou fechar as portas.

Caso 2:

O prestador de serviço é ruim
O seu preço é abaixo do convencional
O serviço até é rentável
Logo: Ainda que seja um valor rentável, a má qualidade de seus serviços prestados fará com que os clientes rejeitem os seus serviços, e logo fechará as portas.

Caso 3:

O prestador de serviço é bom
O seu preço é abaixo do convencional
O serviço é rentável
Logo: É melhor você rever os seus custos operacionais e começar a aplicar planos de ações que busque a redução de custos e, consequentemente, oferecer serviços com valores mais competitivos.

Todas as regras têm as suas exceções, mas o que falta para muitos desses profissionais que se apoiam neste discurso é a confiança na qualidade em seu trabalho, a transparência sobre a formação dos preços e a entrega de resultados positivos para o negócio de seus clientes. Um trabalho somente esteticamente agradável não é garantia de nada em tempos de crise.

E vale lembrar que a prática de preços abaixo do valor do mercado de forma estratégica a fim de prejudicar a concorrência (mesmo que nossa profissão careça de um código de ética ou regulamentação ou órgão de fiscalização) deve ser evitada/combatida.

FONTE: @ideiademkt